30 de mai. de 2011

O singular se viu plural...

É a primeira vez que ele anda de avião. A viagem foi tão longa e tensa, mas ele acaba de desembarcar no aeroporto.  Lindo! Exclama quando põem o primeiro pé em solo Francês. A primeira lembrança que lhe veio à mente foi o de quanto passou a vida inteira sonhando com aquela viagem. Desde pequeno, adolescente e na época em que cursava jornalismo passava todos os seus dias sonhando em desbravar as ruas da França,passear pelos Arcos do Triunfo, tirar milhares de fotos na Torre Eiffel e terminar à tarde em algum cinema de meio de rua ou  em um lindo café. E agora ele estava ali. Tudo era tão único, perfeito. Homem de poucas posses. A única coisa que possuía era seu diploma, livros e uma vontade imensa de conhecer o mundo. Sentiu que valeu cada centavo de economia. Foi para um pequeno e modesto hotel onde passaria algumas noites. Ao chegar lá não se agüentava de tanta alegria, mas não a expressava. Tinha medo de tudo não passar de apenas um sonho. Já havia sofrido tanto na vida, que às vezes tinha até medo de ser feliz. Mas não na França. Lá era tudo diferente. Lá era dono de si e tudo que fizesse seria certo e perfeito. Lá era sua Pasárgada e ele era amigo do rei. Já era noite e seu tour turístico só começaria na manhã seguinte. Tomou um banho e foi repousar. Com a cabeça ao travesseiro ele lembrou a si mesmo que aquilo não era um sonho e que realmente ele tinha como teto as estrelas da França. Involuntariamente veio a sua lembrança o quanto as pessoas não acreditaram quando vivia a dizer que um dia estaria ali. Nesse momento pude ver um pequeno sorriso irônico no canto de sua boca. Ele havia conseguido! No outro dia foi acordado com um lindíssimo bonjour de uma belíssima camareira que trazia um café delicioso e tipicamente francês. Durante os dias que passou ali  pode visitar aqueles maravilhosos lugares com que sonhara desde criança. Comeu o petit gateau direto da fonte, assistiu a inúmeros filmes e passou ótimas tardes nos mais diversos cafés. Tinha comprado até uma câmara de segunda mão. Não queria deixar de registrar nenhum daqueles momentos, que ele um dia mostraria orgulhosamente para a sua posteridade. Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Rio Sena, Cafés, Cinemas, Museus e tudo que tinha direito. No último dia de sua passagem pelo o seu “céu” ele um pouco triste sai à noite a caminho da Torre Eiffel, aquela qual tinha inúmeras miniaturas em casa e que agora via ao vivo. Sentia uma profunda paz, e tinha a certeza que se morresse ali naquele momento tudo teria valido a pena. Sentou-se e ficou parado. Fitou os olhos de comer fotografia naquele belíssimo monumento como se fosse a ultima vez que o veria. Quem sabe? Quão grande era; linda, majestosa, imponente. Dormiu. E teve o mais belo e perfeito dos sonhos. Sonhou que poderia voltar a Paris quantas vezes quisesse, pois nada seria mais problema. Acordou pouco tempo antes de embarcar, ao frenesi de crianças e juras de amor eterno, daqueles que estavam naquela manhã naquele lugar tão belo. Levantou-se... Respirou fundo aquela atmosfera de felicidade e não se permitiu derramar uma única lágrima, pois sabia que quando menos se esperasse ele estaria ali de volta. Quem sabe acompanhado? A caminho do aeroporto, ele projetou milhares e milhares de sonhos para quando voltasse a estar naquele lugar novamente. Ele não cabia em si de tanta alegria. Finalmente ele que se sentiu a vida inteira tão singular pode finalmente se viu plural.

¬je taime


Ele ainda há de desbravar as ruas da França

2 comentários:

Cinthia de Castro Fernandes disse...

BRAVO! Belo texto..
Beijos

Tiêgo R. Alencar disse...

Você pediu pra eu avaliar, lá vai: estaria ÓTIMO, sério, se não fosse um pequenino detalhe - atente para a sequência dos fatos e para a ortografia, em alguns momentos. Você pode narrar sem parecer desesperado para chegar ao fim. Aprecie cada fato com muita emoção, sem medo de ser feliz!

Um beijo :*